Uma história do professor Lucilo contada por um ex-aluno
Por blogdoleunam
“O Multiprofessor Lucilo: Geografia, História e até Inglês e Francês.Era o ano de 1978 e eu na sexta série do Colégio Estadual de João Monlevade, no turno da tarde. Saía de casa, na Rua Siderúrgica, por volta do meio dia, subia o morro do Rampas e depois o morro do Geo, até chegar ao Estadual, onde as aulas começavam a 1 hora da tarde. Dava para cansar um pouco, chegava suado na sala 15, principalmente nos dias de sol rachando mamona. A sala 15 era a última à esquerda, ao final do corredor da direita, no piso superior. O Seu Lucilo era nosso professor de Geografia e lecionava História do Brasil quando faltava a Professora Mirian. No inicio achávamos que a Dona Mirian era estrangeira, mas era apenas uma deficiência na fala por causa de uma tireóide mal resolvida.
O Seu Lucilo também atuava como um coordenador e por isto vivia nos chamando a atenção quando nos via sujando os corredores do Colégio. Gostava de dizer: ‘na escola onde estudei o piso era de mármore branco e se o aluno fosse pego sujando o chão, era obrigado a limpar’. Mas isto nunca aconteceu, ninguém tomou castigo, por que todos os alunos tinham orgulho da escola ‘sempre limpa’. Outra coisa que ele também não gostava era de nos ver sem o uniforme, ou com ele incompleto ou com blusas coloridas que o descaracterizavam.
Certa vez faltou a Professora Déa, lá da Vila Tanque, que nos dava aula de inglês. Dona Déa foi certamente a primeira paixão de muitos de nós, que naquela época tínhamos entre 12 e 14 anos (e muitas espinhas na cara e cabelos na palma da mão… risos). Ficamos doidinhos para sermos dispensados mais cedo, para ir jogar uma pelada lá no campinho da estação. Mas que nada! Eis que chega o Seu Lucilo e para surpresa geral da turma mandou-nos abrir o livro e começou a ler o texto ‘Sun Valley Hay’. Alguns de nós riu e ele foi logo dando uma bronca: – Vocês estão rindo de quê? Pois fiquem sabendo que eu posso dar aulas de inglês e até de francês se precisar. Lá fomos nós tarde adentro estudando inglês com o Seu Lucilo e foi aí que aprendi que nem tudo se traduz do inglês para o português ao pé da letra ou sequer tem tradução.
Se foi bom? Claro que sim, senão nem me lembraria destes fatos ou mesmo do título do texto estudado naquela saudosa tarde de 1978″.
Claudio Gomes – Belo Horizonte