Adeus, Sr. Lucilo! Aqui Jaz um ser diferenciado
Marcelo Mello
Faleceu na madrugada deste domingo, 12 de novembro, num hospital em Belo Horizonte , o professor Lucilo, grande mestre e pessoa ímpar. Ele estava adoentado a alguns meses depois de passar por cirurgias e sofreu infecção. Seu corpo chegou agora a pouco a João Monlevade e seu sepultamento será às 17 horas.
À sua esposa, guerreira Dona Êda (que aparece ao seu lado na foto acima) e aos filhos Zé Willian, Mírian, Alexandre e Lucinho, e aos netos, genro e noras, nossos sentimentos, mas Deus dará força para que a estrada continue. E fica o exemplo deste grande cristão, Mestre Lucilo. O senhor já está com Deus, temos certeza.
Será muito insignificante o que irei falar do senhor, comparada à sua vida. Será quase nada, pelo exemplo de cristão e cidadão que honrou tanto o seu nome e o seu ideal ao longo dos seus quase 80 anos de vida. O Mestre, o professor, o seminarista, quase Padre. E seria um padre diferenciado, com toda a certeza. Sem os vícios e vaidades dos atuais, tão às vezes arrogantes e tão às vezes partidários. Seria o homem que sempre foi. O Ministro da Palavra, a referência da Pastoral Familiar e do Curso de Noivos. Eu mesmo, tão pecador e de pouco contato com a Igreja, acabei trabalhando em um curso de noivos, junto à minha ex-esposa Marilene (fomos seus auxiliares), para aceitar um pedido seu, um convite seu, Seu Lucilo. Para mim, o senhor não pedia, mandava.
Grande Lucilo, cuja estatura era a sua palavra mansa, calma, tranqüila, exemplar. Ontem, durante o seu velório, ouvi do colega “Canhoto”, esposo da Ângela Fidélis e seu amigo da Pastoral Familiar, o seguinte comentário: – Sabe, Marcelo. O Seu Lucilo era mesmo uma pessoa diferenciada. Durante tantos anos em que convivemos, nunca ouvi ele falar mal de qualquer pessoa. Nunca entrou em atrito com alguém. Era dócil e uma unanimidade.
O Canhoto tem toda razão. Seu Lucilo parecia um anjo andando pela Vila Tanque, entre a sua casa, na 22, até a Igreja. E mesmo naquele movimentado Carneirinhos. Às vezes em companhia de sua Dona Êda, outras só. E do lado um embornal, substituindo qualquer bolsa, à moda cristã, franciscana. Quando o via em algum lugar da cidade, era um prazer ouvi-lo. E talvez por querer agradar, uma de suas famosas frases para comigo era: – Marcelo, você não pode ficar estacionado aqui em Monlevade. Vá em frente porque tem competência e capacidade para escrever no Folha de São Paulo e na Veja”… Com toda certeza uma coisa eu não posso esconder. Ele massageava o meu ego e aquilo era tão bom!
Pois é, mas ele se foi. Lutou muito; foi a vontade de Deus em levar este homem quase santo, iluminado. Tão iluminado como o poeta Noel Rosa que, um dia antes de sua despedida, faria cem anos de idade. E no mesmo dia do aniversário da capital das Minas Gerais, o Belo Horizonte – como descreveu o Papa João Paulo II.
“Lucilo Alves de Souza. Aqui Jaz um homem apaixonado por Dona Êda e o maior pai do mundo. Um cristão fervoroso pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana e apaixonado pela música sacra/barroca. Aqui Jaz um voluntário pela justiça social e amante da vida. Um homem que nunca teve como prioridade possuir um carro – nem zero e nem usado -, mas sim seguir os dogmas de sua Igreja, como Ministro da Palavra, membro de pastorais, coordenador de encontros , fomentador da fé e adepto da congregação da humildade. Como disse bem ontem o professor Dadinho, durante uma homenagem feita pela Pastoral Familiar, “mesmo sem ter se ordenado, Seu Lucilo foi um dos mais ilustres ministros da palavra que conheci”. Aqui Jaz um pecador apaixonado pela vida e adorado por todos os monlevadenses que tiveram o prazer e o privilégio de conviver com ele”.
E querem saber? Fosse eu o prefeito desta cidade um dia, não ergueria busto algum para qualquer autoridade política ou eclesiástica, mas sim para este exemplo de religiosidade e de bondade, que não precisou de ser prefeito e nem padre para dar o seu exemplo de vida. Ergueria um busto para o Sr. Lucilo Alves de Souza.